Pesquisadores advertem que a poluição em ambientes internos pode ser até cem vezes maior que a externa, impactando pacientes e profissionais de saúde. O epidemiologista Airton Stein aponta uma “epidemia silenciosa” causada pela má qualidade do ar em lares e unidades de saúde.
Um estudo revelou que o uso de fogão a gás eleva o dióxido de nitrogênio acima dos limites regulatórios em poucos minutos. O aparelho também libera monóxido de carbono, metano, formaldeído e benzeno, um carcinógeno. A pesquisa estima que 12,7% dos casos de asma infantil nos Estados Unidos estão relacionados ao uso desse tipo de fogão.
Em hospitais, uma revisão sistemática analisou trinta e oito estudos e classificou os locais como ambientes críticos. O ar interno contém dióxido de carbono, material particulado, compostos orgânicos voláteis e formaldeído, oriundos de produtos de limpeza e anestésicos. Profissionais relatam sintomas como fadiga e dores de cabeça, relacionados à Síndrome do Edifício Doente.
O acúmulo de dióxido de carbono compromete as funções cognitivas. Um estudo indicou que, com concentração de 2.500 ppm, a queda no desempenho foi de até 94%. Diante do cenário, o Pacto Rio-grandense pela Descarbonização da Saúde propõe eletrificação eficiente e monitoramento padronizado da qualidade do ar.


