Em Alta Floresta, no Mato Grosso, sete pontes suspensas entre árvores registraram cerca de 15 mil travessias de animais desde outubro de 2024. Com a instalação, o número de primatas atropelados nos trechos zerou, quando a média municipal era de um atropelamento diário.
As pontes de dossel fazem parte do programa Alta Floresta Não Atropela, coordenado pelo Projeto Reconecta e pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê). A cidade abriga seis tipos de primatas, quatro deles classificados como ameaçados de extinção. A expansão urbana fragmentou as florestas, aumentando os riscos de atropelamento e eletrocussão para as espécies.
Segundo Fernanda Abra, pesquisadora do Ipê, os resultados demonstram que as pontes são usadas diariamente e oferecem uma rota segura. O modelo de ponte adotado integrou diretrizes técnicas nacionais para diminuir os impactos das rodovias na fauna. Em abril de 2026, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) publicou um manual com mitigação desse tipo de estrutura.
A secretária municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Gercilene Meira Leite, afirmou que o Reconecta e o programa transformaram Alta Floresta em referência para a conservação da fauna em áreas urbanas da Amazônia. O projeto prevê a construção de mais oito estruturas para ampliar o caminho seguro de espécies como o zogue-zogue-de-Alta-Floresta.


