O presidente e acionista majoritário da Voepass, José Luiz Felício Filho, foi indiciado pela Polícia Federal por atentado contra a segurança de transporte aéreo. Ele integra um grupo de 16 pessoas apontadas como responsáveis pelo acidente do voo 2283, ocorrido em Vinhedo, São Paulo, em agosto de 2024, que vitimou 62 pessoas.
A investigação da Polícia Federal aponta que Felício Filho tinha conhecimento da inoperância crônica dos sistemas da companhia e da cultura organizacional de risco. Segundo os investigadores, ele era o usuário externo cadastrado que recebia e assinava notificações e auditorias da Agência Nacional de Aviação (Anac) sobre graves não conformidades técnicas.
Além disso, a PF identificou o executivo como membro de um grupo de WhatsApp da gerência operacional, onde se estimulava a omissão de panes de degelo e o adiamento de registros no diário de bordo. A companhia, que chegou a ser a quarta maior do país em passageiros, teve seu Certificado de Operador Aéreo cassado pela Anac em 2025 por descumprimentos sistemáticos de protocolos de segurança.
Felício Filho, que é piloto por formação, foi descrito pelos investigadores como o principal garantidor jurídico da segurança aérea da empresa, mas também como a figura que teria priorizado lucros em detrimento da segurança. A Voepass acumula dívidas superiores a R$ 400 milhões, e a empresa passou por uma recuperação judicial entre 2012 e 2017, com dívidas estimadas em R$ 150 milhões.

