O presidente da VoePass sabia da ‘cultura de omissão’ na empresa antes da queda do avião ATR 72-500, que resultou em 62 mortes em Vinhedo (SP) em agosto de 2024. A informação consta em inquérito da Polícia Federal (PF) que sustentou o indiciamento do empresário e de outros 15 envolvidos no acidente.
Os investigadores da PF constataram, por meio de interrogatórios e mensagens de celular, que era comum omitir falhas de sistema de aviões da companhia de autoridades para evitar cancelamentos de voos. A causa mecânica da queda foi o mau funcionamento do dispositivo de limpeza de gelo, enquanto a PF aponta a ação humana como o desrespeito deliberado aos alertas do cockpit sobre a necessidade de reparo urgente.
Em depoimento, o investigado confirmou ciência sobre a prática de não registrar falhas no Livro de Bordo. O inquérito sugere que essa omissão era imposta pela diretoria para evitar que aeronaves ficassem paradas em aeroportos distantes. “A diretoria frequentemente pressionava o setor operacional sugerindo ‘segurar essa liberação’, orientando que panes fossem omitidas e só reportadas quando a aeronave retornasse à base principal de Ribeirão Preto”, diz o documento.
O relatório da PF também reforça que o presidente da empresa, que possui licença de piloto, tinha conhecimento técnico sobre a gravidade dos fatos. Ele admitiu que um sistema automatizado de monitoramento de falhas, que estava ‘nos planos’ da companhia, não havia sido implementado até a data do acidente.

