O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, fará um discurso nesta sexta-feira (29), no simpósio anual de pesquisa em Jackson Hole, Wyoming, sob pressão para definir se a inflação atual dos Estados Unidos é um problema e quais medidas devem ser adotadas para combatê-la.
O evento é visto por investidores e analistas como o primeiro teste de credibilidade de Warsh. O banco central dos EUA não atinge sua meta de inflação há 65 meses consecutivos, período iniciado em 2021, durante a pandemia de Covid-19. Dados de julho indicaram alta de 5% nos preços de automóveis e aumento superior a 3,5% em moradia e serviços públicos, resultando em um custo de vida 3,7% maior.
Economistas questionam a independência de Warsh e a possibilidade de ele evitar a alta dos juros para não contrariar o presidente Donald Trump ou as estratégias do secretário do Tesouro, Scott Bessent. Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon, afirmou que a comunicação do presidente do Fed tem sido genérica, o que gera preocupações sobre a coordenação com o Tesouro.
A pressão interna no Fed também cresce. Na reunião de julho, três membros do Comitê de Política Monetária (FOMC) discordaram da manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% e defenderam um aumento. Susan Collins, presidente do Fed de Boston, declarou na quarta-feira que será apropriado endurecer a política monetária caso não haja evidências de progresso sustentado na inflação.
O cenário é complicado por medidas de Bessent para conter os rendimentos dos Treasuries de longo prazo, por meio do aumento de um programa de recompra de dívida. Steven Blitz, economista-chefe da TS Lombard, disse que a ação do Tesouro ocorre em um contexto de dívida federal excessiva e crescimento real insuficiente.
Investidores aumentaram as apostas de que o Fed poderá elevar as taxas na reunião de 15 e 16 de setembro ou, no máximo, até o final de 2026. Antes do próximo encontro, serão divulgados apenas mais um relatório de emprego e os dados de inflação de agosto.

