A estratégia de defesa nacional dos Estados Unidos para 2026 deixou de citar explicitamente a dissuasão ampliada, pressionando aliados a aumentar gastos próprios em defesa. Analistas apontam que essa mudança acelera a reconsideração da aquisição de armas nucleares por diversos países.
Por décadas, nações aliadas confiaram na proteção nuclear americana, dispensando o desenvolvimento de armas próprias. Contudo, a percepção de que Washington se mostra cada vez mais “desvinculada e pouco confiável” impulsiona a busca por “diversas formas de autonomia estratégica”, afirmou Ankit Panda, pesquisador da Fundação Carnegie para a Paz Internacional.
O presidente americano, Donald Trump, ordenou, recentemente, a redução de exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, alegando que tais treinamentos enviavam um sinal “totalmente inadequado e hostil” à Coreia do Norte. Paralelamente, os EUA iniciaram negociações sobre o enriquecimento de urânio na Coreia do Sul e firmaram um pacto nuclear civil com a Arábia Saudita.
Na Europa, o presidente francês Emmanuel Macron aumentou o arsenal nuclear do país em março, prometendo estender seu guarda-chuva a outros membros do bloco, iniciativa na qual nove países, incluindo Alemanha e Grécia, aderiram. O Japão também intensifica esforços na área, sob a liderança da primeira-ministra Sanae Takaichi.
Líderes da Lituânia e da Finlândia, fronteiriços da Rússia, aproximam-se da revogação de proibições antigas ao desenvolvimento nuclear. Shounak Set, pesquisador da Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, em Singapura, alertou que tais esforços podem aumentar tensões, forçando adversários a reagir e elevando riscos de segurança.

