O Brasil realizou seu primeiro debate presidencial em rede nacional na noite de 17 de julho de 1989. O evento ocorreu em São Paulo e marcou a transição da disputa eleitoral dos comícios de rua para a tela da televisão. A ocasião ocorreu em um cenário de hiperinflação e incertezas políticas.
A eleição de 1989 reunia um recorde de vinte e dois candidatos disputando o Palácio do Planalto, após quase três décadas sem voto popular direto para o cargo. Antes dos debates televisivos, as campanhas dependiam majoritariamente de rádio, jornais e encontros presenciais. A televisão, já consolidada como meio de massa, expôs planos de governo e fragilidades pessoais aos eleitores.
A Rede Bandeirantes foi a emissora pioneira na organização do encontro. Nove dos candidatos compareceram ao estúdio, incluindo Luiz Inácio Lula da Silva, Leonel Brizola, Paulo Maluf, Roberto Freire, Affonso Camargo, Aureliano Chaves, Ronaldo Caiado, Mário Covas e Guilherme Afif Domingos. O formato permitiu confrontos diretos, com falas sobre reforma agrária e o legado da ditadura.
A chegada dos debates alterou a estratégia dos marqueteiros. Os candidatos precisaram adaptar a linguagem e a capacidade de síntese para o ambiente televisivo, diferente dos discursos inflamados para multidões. Leonel Brizola e Mário Covas focaram na experiência administrativa, enquanto Lula e Ronaldo Caiado protagonizaram embates ideológicos sobre direitos trabalhistas.
Naquele período, as regras eram mais flexíveis que as atuais. Fernando Collor de Mello optou por não participar do primeiro debate, buscando evitar ser alvo principal dos adversários. O evento consolidou a transparência no processo, forçando os partidos a calcularem a imagem pública com precisão.

