A empresária Karina Ferreira da Gama, produtora executiva do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a suspensão de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo. A defesa solicita que o caso seja transferido para a Corte por envolver a origem de recursos da produção.
O inquérito paulista, instaurado em março pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), apura supostas irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado a Gama. O acordo previa a implantação de 5 mil pontos de Wi-Fi em comunidades da capital.
Segundo a petição, a Polícia Civil teria expandido a apuração para investigar se verbas do programa WiFi Livre SP foram desviadas para financiar o longa. A defesa cita um pedido de Relatório de Inteligência Financeira (RIF) feito por um delegado para esclarecer a origem do financiamento privado da obra.
Os advogados argumentam que o tema já é alvo do inquérito 5.070 no STF, relatado por Mendonça, que investiga a relação do financiamento do filme com o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. A tese é que a manutenção de duas apurações sobre os mesmos fatos gera risco de sobreposição.
A petição menciona ainda conexão com o inquérito 5.026, também sob relatoria de Mendonça, e um pedido do Diretório Nacional do PT sobre o uso de emendas parlamentares na produção. A defesa sustenta que a Polícia Civil promoveu um fatiamento irregular da investigação ao excluir fatos relacionados ao deputado federal Mário Frias (PL-SP).
No pedido, a defesa solicita a suspensão imediata de todas as medidas investigativas em primeira instância e a avocação do processo pelo ministro do Supremo.

