Um estudo publicado em agosto aponta que pilotos e comissários de bordo nos Estados Unidos lideram a lista de profissões com maior mortalidade por cânceres ligados à radiação. A pesquisa analisou quase 13 milhões de óbitos entre 2020 e 2024, utilizando o Sistema Nacional de Estatísticas Vitais dos EUA.
A investigação, liderada por pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard, utilizou dados de 503 ocupações. Os resultados mostraram que, entre os comissários de bordo, 6,9% dos óbitos foram atribuídos a cânceres relacionados à radiação. Pilotos registraram 6,7% nesse índice, as maiores proporções entre as categorias estudadas.
A hipótese central é a exposição à radiação cósmica durante os voos. A proteção atmosférica diminui em altitudes elevadas, dependendo também da latitude da rota. Estima-se que membros da tripulação acumulem entre 3 e 6 milisieverts de radiação cósmica por ano. Isso é cerca de 7,5 a 15 vezes maior que a dose recebida por um passageiro em dez voos de ida e volta anuais.
Apesar dos achados, os autores esclarecem que o sinal observado se refere a uma carreira inteira na aviação, e não a viagens esporádicas. Os pesquisadores ressaltam que o estudo não prova causalidade definitiva, pois não mede a exposição real individual. Fatores como turnos noturnos também podem influenciar os resultados.
A Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA reconhece a exposição à radiação ionizante dos tripulantes. Contudo, segundo a Escola de Medicina de Harvard, as tripulações americanas não possuem limites federais de exposição nem são obrigadas a monitorá-la.

