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Política

Projeto nuclear brasileiro enfrenta gargalos estruturais

Carla Fernandes
Última atualização: 21 de agosto de 2026 17:47
Carla Fernandes
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Tempo: 2 min.
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A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Centro Industrial Nuclear de Aramar reabriu o debate sobre o programa nuclear da Marinha. O projeto do submarino nuclear Álvaro Alberto, prestes a completar cinquenta anos, sofre com descontinuidades orçamentárias e falhas de gestão.

O avanço tecnológico no setor, segundo o professor Eduardo Brick, pesquisador do Núcleo de Estudos de Defesa, Inovação, Capacitação e Competitividade Industrial, esbarra na falta de uma política industrial de defesa centralizada e de longo prazo. O especialista comparou a estrutura brasileira de defesa a modelos ultrapassados, apontando que as atribuições estão pulverizadas entre as Forças Armadas.

Brick explicou que, enquanto nações globais concentram ciência e logística de defesa em agências civis, no Brasil cerca de quinze oficiais-generais administram a área industrial. Essa distribuição gera fragmentação de forças e impede a cooperação real entre institutos de pesquisa e universidades públicas.

Outro ponto crítico é o viés comprador das Forças Armadas, que prefere importar equipamentos prontos em vez de fomentar a cadeia produtiva nacional. O pesquisador alertou que essa prática fortalece indústrias de outros países, enfraquecendo a produção local. Ele frisou que a falta de visão estratégica no Ministério da Defesa é um fator nesse cenário.

Para superar o patinamento em projetos de alta complexidade, Brick concluiu que é necessária uma reforma organizacional profunda na gestão da Defesa, que vincule a política industrial a uma visão integrada de soberania e desenvolvimento.

TAGGED:defesa-brasileiraestratégiamarinhaPolítica industrialprograma nuclearsubmarino-nuclear
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