O Partido dos Trabalhadores (PT) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) cooperação jurídica com a Bolívia para acessar provas apreendidas com o argentino Fernando Cerimedo. O partido aponta indícios de que o ex-assessor de Javier Milei tenha utilizado uma “fazenda de bots” para interferir nas eleições brasileiras de 2026.
O pedido foi formalizado pelo deputado federal Rui Falcão, ex-presidente do PT, e endereçado ao ministro Alexandre de Moraes. A manifestação foi apresentada como notícia de fato superveniente ao inquérito que investiga o núcleo golpista do governo de Jair Bolsonaro. Falcão quer verificar se a estrutura de automação foi usada para produzir ou disseminar conteúdo relacionado ao processo eleitoral atual.
Cerimedo foi preso na Bolívia no dia 18 de agosto, em razão de uma investigação sobre um atentado contra a ex-namorada, a advogada Nadia Beller. Segundo o Ministério Público boliviano, buscas em imóveis do argentino resultaram na apreensão de celulares, computadores, documentos e uma “mini granja de bots”.
O parlamentar argumenta que os equipamentos podem conter comunicações de Cerimedo com outros investigados, como o ex-ajudante de ordens Mauro Cid. O argentino já havia sido indiciado pela Polícia Federal (PF) em 2024 por disseminar narrativas de fraude nas urnas eletrônicas após as eleições de 2022, embora a Procuradoria-Geral da República (PGR) não tenha apresentado denúncia na época.
No documento, o PT cita ainda uma transmissão ao vivo realizada em 23 de julho entre Cerimedo e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL) para questionar o sistema de votação. O fato ocorreu dois dias após Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, se reunir com diplomatas estrangeiros para descredibilizar as urnas.
O pedido solicita que o STF peça à Bolívia a preservação dos dados e o envio de laudos e inventários. Também requer a investigação de possíveis pagamentos, contratos e clientes de Cerimedo no Brasil, além do encaminhamento de eventuais provas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Procuradoria-Geral Eleitoral.
A base jurídica da solicitação é o acordo de assistência jurídica mútua em matéria penal firmado entre países do Mercosul, Bolívia e Chile, que permite o compartilhamento de provas entre as autoridades.


