O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou nesta segunda-feira (31) a intenção de ampliar a cooperação com a China nas áreas de inteligência artificial e inovação digital. A declaração ocorreu durante reunião bilateral com o presidente chinês, Xi Jinping, à margem da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), em Bishkek, capital do Quirguistão.
Putin afirmou que as inovações digitais abrem novas oportunidades para o desenvolvimento econômico de ambos os países e classificou a parceria estratégica como um modelo de relações entre Estados. Xi Jinping declarou estar satisfeito com o encontro e disse que os vínculos entre as duas nações tornaram-se mais sólidos, apesar do aumento da incerteza na ordem internacional.
A aproximação ocorre enquanto a Rússia enfrenta o quinto ano de guerra contra a Ucrânia e sofre sanções ocidentais. A China é a principal compradora de petróleo bruto russo e fornece componentes eletrônicos utilizados por militares russos na produção de drones e outras armas, segundo a imprensa internacional.
O encontro na OCX, grupo formado por 10 países, reúne também o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. O bloco tem sido utilizado para defender a construção de um mundo multipolar e coordenar ações de segurança fora das estruturas lideradas pelos Estados Unidos.
O presidente iraniano aproveitou a cúpula para declarar ao primeiro-ministro indiano que a continuidade da guerra contra Washington não interessa a Teerã. A fala sucede ataques americanos contra a ilha de Larak, que deixaram dois mortos, e contra-ataques iranianos com drones em bases nos Emirados Árabes Unidos e na Jordânia.
A China mantém posição central no grupo, sendo a maior importadora de petróleo da Rússia e do Irã. A estratégia de Pequim permite a compra de energia russa com desconto e amplia a influência diplomática sobre nações isoladas pelo Ocidente, conforme apuração de agências internacionais.
A cúpula acontece pouco antes de Xi Jinping viajar a Washington para se reunir com o presidente Donald Trump. O líder chinês também cumprirá agenda oficial no Egito e na Índia para tentar manter a trégua econômica com os Estados Unidos.


