A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), acionou a Justiça Eleitoral contra um perfil nas redes sociais chamado “João Campos Platinado”. A gestão estadual alega que a conta é mantida por Wladimir Fernandes, produtor de vídeos com histórico em cargos comissionados de prefeituras ligadas ao PSB, partido do adversário João Campos.
O processo apresentado pelo PSD contém uma mensagem da Meta, proprietária do Instagram e Facebook, indicando que o telefone cadastrado na conta é o mesmo utilizado pela Justiça para intimar Fernandes em 2022. Naquela ocasião, o produtor foi alvo de ações da coligação de Lyra por causa da página “Marília Arraes debochada”. Fernandes negou qualquer relação com os conteúdos.
A equipe da governadora afirma que houve propaganda eleitoral antecipada negativa e uso irregular de Inteligência Artificial (IA). O perfil “João Campos Platinado” é alvo de sete representações do PSD em 2026. Em janeiro, Fernandes abriu uma empresa de pós-produção de vídeos semanas antes da publicação de peças audiovisuais questionadas judicialmente.
A defesa de Fernandes é feita pelo escritório Rocha & Pinto Advogados Associados. Um dos sócios, Celso Rocha Barbosa Souza, é servidor comissionado na Câmara Municipal do Recife, nomeado no gabinete do vereador Eduardo Mota (PSB). O outro sócio, Américo Oliveira Pinto Neto, foi gestor de unidade na Secretaria de Saúde do Recife entre 2021 e 2023, gestão de João Campos.
Em ação separada apresentada em julho, o PSD pede a preservação de provas sobre a autoria de uma rede de 15 perfis anônimos que atacariam a governadora. A sigla afirma que o escritório Rocha & Pinto atua para quase todas as páginas, aparecendo em 18 processos. A Justiça Eleitoral acolheu o pedido de preservação de provas no início de agosto.
Paralelamente, o governo de Pernambuco exonerou Amisadai Andrade da Silva na última terça-feira. A medida ocorreu após reportagem indicar que o servidor, cedido à Secretaria Estadual de Turismo e Lazer, operaria uma rede de mais de 300 perfis para atacar adversários de Lyra. A Polícia Federal investiga a existência de um “gabinete do ódio” montado pela campanha da governadora.
O advogado Rafael Carneiro, representando o PSB, disse que há indícios de uma estrutura para prejudicar João Campos. Em nota, o governo de Pernambuco afirmou que a publicidade da gestão é executada exclusivamente via licitação e que os valores destinados ao veículo citado representam cerca de 0,3% do investimento permitido ao Estado em 2026.


