Ray Dalio, gestor do fundo Bridgewater Associates, compara o crescimento atual da Inteligência Artificial a bolhas registradas em 1929 e 2000. Ele aponta sinais de supervalorização no mercado, analisando métricas econômicas e a concentração de ganhos.
Dalio explica que todo ciclo de bolha apresenta um disfarce tecnológico transformador, citando os trilhos de trem nos anos 1800 e a internet no final dos anos noventa. Ele utiliza a distinção entre riqueza, que é o valor dos ativos no papel, e dinheiro, que é o caixa disponível. Essa diferença ilustra como as avaliações de empresas de IA, como a Anthropic, atingem valores altíssimos com pouco capital real.
O analista utiliza o índice CAPE, que ajusta os lucros do S&P 500 em dez anos e retira a inflação. Segundo Dalio, esse índice está próximo de 42,6, valor superior ao pico de 1929 (32,6) e próximo ao topo da bolha pontocom (44,2). Ele afirmou que as condições atuais se aproximam dos extremos vistos na década de 2000.
Além da questão de valor, Dalio discute a distribuição desigual dos lucros gerados pelo avanço da IA. Ele descreve um cenário de economia em formato K, onde um grupo pequeno obtém ganhos extraordinários enquanto grande parte da população enfrenta custos crescentes. O gestor associou esse padrão à instabilidade política.
Dalio não prevê uma queda imediata do mercado. Sua análise serve como um alerta de avaliação: o índice CAPE está em patamares elevados e as empresas privadas de IA criam fortunas baseadas em valorização de papel. A lição dos períodos de 1929 e 2000, segundo ele, é evitar pagar preços excessivos por esses ativos.


