O real aparece entre as moedas mais desvalorizadas da América Latina no Índice Big Mac de julho, ficando 24% abaixo do valor de paridade. A moeda brasileira enfrenta pressão devido a questões fiscais e à incerteza gerada pelo cenário eleitoral.
Segundo Nelson Marconi, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), a trajetória do real é influenciada diretamente pelas questões fiscais e pela percepção de risco da economia nacional. O economista afirmou que a evolução da dívida pública tem papel relevante na formação das expectativas dos investidores, pois há uma relação significativa entre o comportamento da dívida e a taxa de câmbio em médio e longo prazo.
Marconi estimou que uma taxa de câmbio próxima a R$ 5,50 por dólar seria um nível mais adequado para a competitividade brasileira. Além disso, o cenário eleitoral contribui para a pressão cambial. A falta de clareza sobre as propostas dos candidatos, especialmente nas áreas fiscal e econômica, amplia a incerteza no mercado.
A desvalorização da moeda tem efeitos opostos: importadores e consumidores enfrentam aumento de preços, enquanto exportadores podem elevar a rentabilidade. O especialista alertou que uma taxa de câmbio muito depreciada pode contribuir para a inflação, sendo o desafio da política econômica evitar oscilações acentuadas.


