A recompra de títulos de longo prazo anunciada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos trouxe alívio aos mercados nesta quarta-feira, dia 18. Contudo, especialistas indicam que fatores estruturais continuam pressionando os rendimentos americanos de prazos maiores.
Pedro Paulo Silveira, analista da Terra Investimentos, afirmou que o movimento reduziu temporariamente a taxa livre de risco e permitiu a recuperação de ativos mais arriscados. Segundo ele, a situação não representa uma reversão de cenário, mas sim a permanência de um desequilíbrio estrutural.
O mercado enfrenta a combinação de alto endividamento público, grande necessidade de financiamento empresarial e pressão dos investimentos em inteligência artificial e infraestrutura tecnológica. Silveira explicou que governos e empresas são grandes tomadores de poupança global, somado ao financiamento contínuo da dívida americana.
Sobre as taxas de títulos de dez e trinta anos, o analista viu um viés de alta, apesar da incerteza sobre a velocidade do movimento. Ele pontuou que o aumento das taxas ocorre quando o custo do financiamento supera o ritmo de crescimento da economia, um cenário que mudou após a crise de dois mil e oito e a pandemia.
A concorrência por recursos financeiros também pressiona o preço do dinheiro. O avanço das grandes empresas de tecnologia, que demandam alto volume de dívida, soma-se à necessidade de captação dos países, o que tende a elevar a taxa de juros acima da taxa de crescimento.

