O aumento da procura por cirurgias plásticas entre adolescentes tem gerado alerta entre especialistas. Impulsionados pela exposição em redes sociais e pela busca por padrões estéticos, jovens procuram consultórios mais cedo. Médicos reforçam que os procedimentos são tratamentos indicados apenas em situações específicas, após avaliação criteriosa.
A cirurgiã plástica Viviane Borba Campos, especialista pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (UFG) e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), explica que a indicação cirúrgica depende de avaliação individualizada. Segundo a especialista, a cirurgia plástica na adolescência não deve ser vista como um procedimento de beleza, mas sim como um tratamento para deformidades ou sofrimento psicológico. A decisão exige análise do cirurgião, da família e, por vezes, de outros profissionais.
Um desafio atual é distinguir desejo genuíno de vontade motivada pela comparação constante nas redes sociais. Borba Campos afirma que, como o cérebro ainda está em desenvolvimento, a avaliação deve ser cuidadosa. Em casos de expectativas irreais, o acompanhamento psicológico pode ser mais relevante que o procedimento em si, pois a cirurgia não resolve conflitos emocionais.
A idade adequada varia conforme o tipo de cirurgia. A otoplastia pode ocorrer entre seis e sete anos, prevenindo sofrimento na adolescência. Já a rinoplastia exige cautela, devendo aguardar o crescimento ósseo completo, que ocorre tipicamente entre 15 e 16 anos. Para os meninos, a ginecomastia é comum, afetando entre 50% e 70% dos adolescentes. Em meninas, a demanda maior envolve mamoplastia e rinoplastia.

