A reforma tributária pode alterar a relação entre grandes empresas e fornecedores de menor porte ao mudar a dinâmica de créditos fiscais. Segundo Cláudio Fernandes, CEO da Midas, negócios despreparados para as novas regras correm o risco de perder espaço nas cadeias de fornecimento, já que o imposto destacado na nota passa a gerar crédito para quem contrata.
Um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) indica que mais de 70% das empresas optantes pelo Simples Nacional não vendem ao consumidor final, atuando em operações entre companhias. Setores de logística e confecções estão entre os mais expostos. Nesses casos, o comprador passa a considerar o crédito tributário disponível, o que pode tornar um fornecedor menos interessante mesmo sem a alteração do valor cobrado.
A Resolução CGSN nº 186/2026 antecipou o prazo de opção pelo Simples Nacional para 2027, que ocorrerá entre 1º e 30 de setembro de 2026. Nesse período, a empresa decide se recolhe o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) via guia única ou pelo regime híbrido, que permite gerar crédito integral aos clientes a partir de 2027.
O ano de 2026 é considerado de teste, mantendo a dispensa de destaque dos dois tributos nas notas fiscais. A obrigação passa a valer em 2027, quando a CBS substitui o PIS e a Cofins. O sistema de split payment também amplia a pressão, pois o crédito do comprador pode depender do recolhimento imediato do imposto na liquidação da operação, impactando o caixa de empresas menores.
Fernandes afirma que grandes companhias deveriam ajudar fornecedores a se adequar aos processos fiscais em vez de cortá-los. O executivo informou que alguns grupos empresariais já comunicam prazos de adequação com risco de substituição, movimento que a Midas considera equivocado. A adaptação tende a ser mais simples para empresas que já operam no lucro real.
A reformulação exige a participação de setores como financeiro, compras, estoque e comercial. A tendência de médio prazo é de maior automação com integração entre municípios, estados e governo federal, mas, até que a estrutura funcione, os pequenos fornecedores permanecem mais vulneráveis.

