O candidato à presidência Renan Santos, do partido Missão, afirmou nesta quinta-feira (27) que não considerou a opinião de organizações não governamentais para formular sua política de segurança pública. Durante sabatina, o político defendeu a proposta de “desfavelização” das comunidades brasileiras, baseando-se em conversas com especialistas e moradores.
Renan declarou que não considera automaticamente legítima a posição de entidades de representação comunitária. Segundo o candidato, existe o risco de que essas organizações atuem em benefício próprio ou sejam utilizadas para fins políticos, transformando-se em feudos por meio do recebimento de emendas.
Ao detalhar o conceito de “desfavelização”, ele afirmou que moradores de regiões dominadas pelo crime organizado vivem em um regime paralelo e não possuem as garantias do Estado Democrático de Direito. Para o político, o direito de ir e vir nessas áreas já não é plenamente exercido na prática.
O candidato criticou as políticas de segurança de governos do Rio de Janeiro e de São Paulo. Ele argumentou que operações de ocupação são insuficientes se não houver mudanças na legislação penal e investimentos permanentes em infraestrutura.
Sobre as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), Renan afirmou que a experiência fracassou por falta de uma estratégia de ocupação permanente e de transformação das favelas em bairros integrados à cidade.
Como alternativa, ele citou o programa Favela-Bairro, implementado no Rio de Janeiro durante a gestão de Cesar Maia. O candidato defendeu que uma política semelhante deve combinar segurança e integração urbana com a participação coordenada entre União, estados e municípios.

