Cientistas investigam a possibilidade de extrair hidrogênio de reservatórios subterrâneos, um gás que pode servir como fonte de energia de baixo carbono. A descoberta, feita em Minas Kidd Creek, Ontário, Canadá, aponta para a existência de vastas reservas geradas por reações químicas em rochas antigas.
Em pesquisas conduzidas na mina Kidd Creek, no norte de Ontário, geoceanógrafos identificaram água subterrânea confinada por mais de um bilhão de anos. Essa água, em contato com a rocha, produz hidrogênio, que sustenta microrganismos vivos no ambiente. A cientista Barbara Sherwood Lollar, da Universidade de Toronto, revisou dados antigos para avaliar o potencial do gás como combustível.
Pesquisadores do Serviço Geológico dos EUA estimam que trilhões de toneladas de H2 são produzidas na crosta terrestre. Contudo, a busca por um reservatório comercialmente viável ainda não obteve sucesso. No local da mina, a análise de trinta e cinco furos ao longo de mais de uma década revelou uma média de oito quilos de hidrogênio liberados por ano em cada poço.
Extrapolando esse dado para mais de quatorze mil furos na mina, calcula-se que cerca de 140 toneladas métricas do gás saiam anualmente. Embora esse volume não seja global, a cientista Lollar afirmou que sua captura ofereceria uma fonte de energia local. Laurent Truche, geoceanógrafo da Universidade de Grenoble Alpes, confirmou que a geração natural de hidrogênio é um processo geológico real.
Além da exploração natural, projetos buscam estimular a produção injetando água ou calor em rochas reativas. Um estudo realizado no Omã, por exemplo, injetou cinquenta mil metros cúbicos de água e obteve gás com noventa por cento de hidrogênio. No entanto, questiona-se se esse gás é resultado da estimulação ou se já estava presente no local.


