A reversão da vasectomia, um método contraceptivo masculino, é possível por meio de microcirurgia, mas o urologista Rodrigo Trivilato afirma que o procedimento não garante a gravidez. O sucesso reprodutivo depende de fatores como o tempo desde a cirurgia, a idade do casal e a fertilidade da parceira.
A reversão é executada por microcirurgia, técnica que reconecta os canais deferentes interrompidos durante a vasectomia. O especialista Rodrigo Trivilato, da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), explica que a técnica mais usada é a vasovasostomia, embora, em casos de obstrução no epidídimo, seja necessária a vasoepididimostomia, um procedimento mais complexo.
Antes de qualquer intervenção, é fundamental uma avaliação individualizada. Segundo Trivilato, analisam-se o tempo decorrido desde a vasectomia, a fertilidade feminina, a idade da parceira e possíveis alterações hormonais, pois todos esses aspectos influenciam nas chances de recuperação da fertilidade.
Os resultados variam conforme o período. Quando a reversão ocorre em até 3 anos, cerca de 95% dos pacientes recuperam espermatozoides no sêmen, com taxas de gravidez podendo atingir 70% ou 75%. Após 10 anos, o retorno dos espermatozoides ainda é visto, mas as taxas de gestação diminuem.
O médico alerta que o retorno dos espermatozoides não assegura a gravidez, pois a fertilidade é uma característica do casal. Ele reforça que a vasectomia deve ser vista como um método definitivo e que a decisão deve ser consciente e compartilhada pelo casal.

