O longa-metragem ‘Rio de Clarice’ apresenta uma estrutura antológica, reunindo cinco adaptações de contos de Clarice Lispector. O projeto coletivo utiliza o roteiro de Nicole Allgranti, sobrinha-neta da escritora, e a direção-geral de Allgranti e Teresa Montero.
As cinco partes do filme compartilham o uso constante de música incidental. A eficácia de cada seção depende da capacidade de cada realizadora de traduzir, em imagens, as ideias e restrições propostas pelos textos, buscando capturar o espírito da obra de Clarice Lispector, autora de “A hora da estrela”.
Entre as adaptações, “A fabulosa máquina do tempo”, de Eliza Capai, retrata a infância no Piauí. Já “Feliz aniversário”, dirigido por Maria Luiza Aboim, foca em fissuras familiares durante a comemoração de 89 anos de uma matriarca. “Mal-estar de um anjo”, de Eunice Gutman, aborda a tensão psicológica de uma viagem de táxi.
Outras peças incluem “A bela e a fera ou a ferida grande demais”, de Nicole Allgranti, que mostra o encontro entre uma mulher rica e uma sem-teto. O curta “Amor”, de Taciana Oliveira, é descrito como o mais literário, focado na epifania de uma dona de casa judia. Por fim, “Preciosidade”, de Barba Kahane, explora o amadurecimento de uma adolescente traumatizada por assédio sexual.

