A empresária Roberta Luchsinger é alvo de múltiplos processos judiciais por dívidas pendentes relacionadas a serviços, empréstimos, aluguéis e direitos trabalhistas. Os casos, que envolvem valores expressivos e a perda de bens imóveis, foram detalhados em apuração da imprensa local com base em autos judiciais.
Um dos casos envolve Lauro Escobosa Vallejo, que atuou como avalista de um empréstimo de US$ 300 mil para um documentário sobre o designer Horacio Pagani, projeto apresentado por Roberta e uma sócia em 2016. Como o investimento estrangeiro previsto não ocorreu e o empréstimo não foi quitado, a Justiça determinou a perda de uma fazenda de Vallejo em Minas Gerais, avaliada em R$ 8 milhões.
No setor de serviços, o tapeceiro Nilton Cezar busca receber o saldo de um contrato de reforma de estofados de 2011. Do valor orçado em R$ 61 mil, Roberta pagou R$ 25 mil. O profissional obteve decisões favoráveis inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas afirma que acordos firmados na fase de execução não foram cumpridos.
Durante o processo, a empresária ofereceu 14 gravuras atribuídas a Cândido Portinari, avaliadas por ela em R$ 70 mil, para penhora de bens. No entanto, o Projeto Portinari informou que as peças eram apenas reproduções das obras do artista.
Outras ações judiciais incluem a cobrança de R$ 91 mil por mensalidades escolares de 2017, uma dívida de R$ 6.124 em loja de roupas e um contrato de publicidade de R$ 42 mil, do qual apenas R$ 4.200 foram pagos. Duas trabalhadoras domésticas demitidas sem direitos trabalhistas moveram processos que somavam R$ 50 mil, mas as ações prescreveram.
Entre 2019 e 2023, Roberta residiu em um apartamento onde acumulou dívidas de aluguel, condomínio e IPTU que chegaram a R$ 500 mil. O valor foi quitado em maio de 2024, após os proprietários, um casal de idosos, recorrerem à Justiça em 2020. Um dos donos do imóvel morreu antes de receber os pagamentos.
Procurada, Roberta Luchsinger não concedeu entrevista. A empresária enviou a lista dos processos e informou quais foram arquivados. Sobre a perda da fazenda, afirmou que também foi enganada pelo investidor do filme e que o avalista conhecia os riscos da operação.

