O governo de Javier Milei enfrentou resistência em rua e no Congresso argentino contra a proposta de lei sobre a compra de terras por estrangeiros. A mobilização popular contra a iniciativa sinaliza limites ao projeto de poder do Executivo.
A iniciativa, denominada “Lei da Inviolabilidade da Propriedade Privada”, visava permitir mecanismos que aprofundassem a estrangeirização da terra e facilitassem o controle externo sobre recursos estratégicos do país. Milhares de pessoas se manifestaram contra a ofensiva em diversas cidades.
As manifestações foram acompanhadas por repressão estatal, que utilizou gás lacrimogêneo e balas de borracha, resultando em feridos e detidos. O governo, segundo relatos, emprega a força quando encontra resistência ao seu discurso.
No Legislativo, o projeto também não obteve aprovação, apesar das tentativas do governo de formar maiorias por meio de negociações e pressões. O Executivo precisou recuar em relação ao cerne da lei e em outras reformas.
Analistas apontam que a rejeição à lei reflete uma ruptura no consenso da classe dominante. A mobilização demonstra o cansaço popular frente ao ajuste econômico que, segundo observadores, beneficia setores concentrados, enquanto a crise global transfere seus custos para o Sul Global.


