A população da Rússia sacou um valor recorde de depósitos bancários em agosto, impulsionada pelo receio de que o regime possa confiscar fundos para sustentar o conflito com a Ucrânia. Dados do Banco Central da Rússia mostram que 286,4 bilhões de rublos foram retirados na primeira quinzena do mês.
Desde o início do ano, o total de conversão de depósitos para espécie no sistema bancário russo atingiu 2,4 trilhões de rublos. O Alfa-Bank, o maior banco privado, registrou perda de 179,4 bilhões de rublos em depósitos de clientes de varejo. O Sovcombank, terceiro maior banco privado, teve perda de 81,7 bilhões de rublos, correspondente a 8,1% de seus depósitos.
Taras Skvortsov, executivo do Sberbank, informou que os saques deste ano podem quase dobrar o montante retirado em 2022, durante a invasão inicial da Ucrânia, quando o total foi de 2 trilhões de rublos. Um ex-funcionário do Ministério das Finanças, que falou anonimamente, comentou que o nervosismo levou os cidadãos a preferir guardar dinheiro em casa.
A guerra acarreta alto custo financeiro. O financiamento federal para o conflito e outras despesas militares chegou a cerca de 16 trilhões de rublos em 2025, o que representa 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Instituto Internacional de Estudos de Paz de Estocolmo. O Kremlin implementou política monetária restritiva para conter a inflação, mas o déficit orçamentário fechou em 2,6% do PIB ao final do ano.
Um estudo de junho indicou que as reservas financeiras da Rússia estão quase esgotadas. Moritz Schularick, presidente do Instituto Kiel para a Economia Mundial, apontou que os ativos líquidos do fundo soberano caíram de 6,5% do PIB no início do conflito para apenas 1,8% em abril. O crescimento econômico estagnou, e receitas de petróleo e gás caíram 45% no primeiro trimestre em relação ao ano anterior.


