O salário mínimo equivale a quase 100% do salário mediano em Alagoas, Maranhão, Paraíba, Piauí, Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará, aponta estudo do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS). O piso nacional representa 65% da renda típica do Brasil, a sexta maior proporção entre 34 países analisados.
O levantamento indica que, enquanto no Nordeste o valor se confunde com os ganhos da maioria, em outras regiões a fatia é menor: no Distrito Federal (49%), em Santa Catarina (52%) e em São Paulo (57%). O salário mínimo atual é de R$ 1.621, com previsão de reajuste para R$ 1.741 em 2027.
Para economistas do IMDS, a proximidade entre o piso e a renda típica estimula a informalidade, pois empresas não percebem ganhos de produtividade que justifiquem os encargos trabalhistas. A produtividade brasileira, que cresceu 1,6% entre 2000 e 2010, teve alta de apenas 0,3% entre 2019 e 2025.
O impacto fiscal também é destacado. Como o piso serve de referência para benefícios previdenciários, cada R$ 1 de aumento eleva as despesas em mais de R$ 400 milhões, segundo o Ministério do Planejamento. O instituto afirma que apenas 24% dos brasileiros pobres recebem remuneração próxima ao mínimo.
Fernando Veloso, diretor de pesquisa do IMDS, disse que a valorização do piso tem consequências sobre a política fiscal e a informalidade. Paulo Tafner, diretor-presidente do instituto, comparou o uso do mínimo para combater a pobreza a usar uma “bala de canhão para matar um mosquito”.
Outros especialistas divergem. Naercio Menezes, professor da FEA-USP e do Insper, defende que o aumento do piso reduz a desigualdade e que empresas conseguem absorver os custos. Marcelo Manzano, diretor do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp (Cesit), afirma que a informalidade diminuiu entre 2003 e 2012 mesmo com a subida do salário real.
O tema integra as agendas eleitorais. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que mudanças no reajuste real não estão em discussão. Já o candidato Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que fará ajuste fiscal sem alterar a política de valorização do salário mínimo.


