São Paulo e Rio de Janeiro concentram mais da metade dos recursos liberados via Lei Rouanet a projetos culturais estaduais em 2026. Segundo dados do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic), do Ministério da Cultura, consultados em 27 de agosto, São Paulo liderou com R$ 383,2 milhões, seguido pelo Rio de Janeiro, com R$ 301,9 milhões.
O Ministério da Cultura reconhece que o mecanismo reproduz a concentração econômica do país, com maior volume de verbas no Sul e Sudeste. A pasta informou que a estrutura de captação junto a empresas favorece regiões onde há maior concentração de companhias tributadas pelo lucro real.
Para tentar reverter o cenário, o governo federal articula o uso de estatais para direcionar patrocínios a grupos e regiões com menor participação. Entre as iniciativas estão o Rouanet Nordeste, com R$ 40 milhões, o Rouanet Centro-Oeste, com R$ 29 milhões, e o Rouanet Norte, com R$ 24 milhões. Outros repasses incluem R$ 17 milhões para festivais audiovisuais, R$ 10 milhões para favelas e R$ 6 milhões cada para projetos no interior e de juventude.
A captação anual via Rouanet superou R$ 3 bilhões pelo segundo ano consecutivo. O montante registrado em 2024 e 2025 é mais que o triplo do valor de 2014, quando a captação foi de R$ 1,33 bilhão. Desde 2023, projetos culturais captaram R$ 10,7 bilhões, valor superior ao liberado durante os quatro anos do governo anterior. Até agosto de 2026, as liberações somam R$ 1,15 bilhão.
No segmento de empresas públicas, o total destinado a projetos em 2026 foi de R$ 309,4 milhões. A Petrobras detém a maior fatia, com R$ 275,3 milhões, o que representa 88,98% do montante. O Banco do Brasil aparece em segundo lugar, com R$ 28,5 milhões, correspondendo a 9,2% do total de aportes estatais.

