O Brasil registra novos casos de sarampo, com concentração no estado de São Paulo. A doença, que havia sido classificada como livre de circulação endêmica, volta a gerar alerta devido à baixa cobertura vacinal e à entrada do vírus no país. Especialistas reforçam a necessidade de vacinação e vigilância contra complicações neurológicas.
O reaparecimento da doença, segundo médicos Marco Orsini, Eduardo Morsch de Mello e pesquisadora Eduarda Iennaco, exige foco não apenas nos sintomas visíveis, como manchas na pele e problemas respiratórios. Os especialistas advertem que o vírus pode causar comprometimentos neurológicos agudos ou tardios.
Uma das consequências graves é a encefalite aguda pós-sarampo, que ocorre em cerca de um a cada mil infectados. Este quadro pode se manifestar dias ou semanas após o surgimento das manchas vermelhas, apresentando sinais como dor de cabeça, rigidez de nuca e vômitos. Em casos mais sérios, o quadro evolui para sonolência, crises epilépticas e coma.
A condição possui potencial fatal em aproximadamente vinte por cento dos casos. Além disso, cerca de um quarto dos pacientes que sobrevivem pode desenvolver sequelas cognitivas, motoras e comportamentais. Outras manifestações incluem a encefalomielite, que afeta cérebro e medula espinhal, e a síndrome de Guillain-Barré, que provoca fraqueza progressiva.
Eduarda Iennaco afirmou que a percepção da doença precisa ir além da febre e das manchas. Ela destacou que a vacinação é a principal estratégia de prevenção, protegendo não só o indivíduo, mas também aqueles que não podem receber o imunizante.


