O Senado Federal aprovou, nesta segunda-feira (31), a cassação do mandato da então presidente Dilma Rousseff (PT), completando dez anos da decisão ocorrida em 2016. Por 61 votos a 20, os senadores decidiram pela perda do cargo, o que levou o então vice-presidente Michel Temer (MDB) a assumir a Presidência no mesmo dia.
O processo de impeachment ocorreu em meio a uma crise econômica e política. Dilma iniciou o segundo mandato em janeiro de 2015 com queda de popularidade e enfrentou manifestações populares em diversas cidades. No mesmo período, a Operação Lava Jato ampliava investigações sobre corrupção na Petrobras, empreiteiras e partidos, fragilizando a base de apoio do governo no Congresso.
Em março de 2016, o PMDB rompeu oficialmente com a Presidência. A ruptura foi considerada determinante por envolver uma das maiores bancadas do Legislativo. Paralelamente, o país enfrentava recessão econômica, com alta na inflação e no desemprego.
A denúncia formal foi aceita em 2 de dezembro de 2015 pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Os juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal acusaram a presidente de crime de responsabilidade devido a pedaladas fiscais e à edição de decretos que ampliaram créditos orçamentários sem autorização legislativa.
Após a aprovação na Câmara em 17 de abril de 2016, com 367 votos favoráveis, o processo seguiu ao Senado. Em 12 de maio, os senadores aprovaram a abertura do processo por 55 votos a 22, afastando Dilma temporariamente. O julgamento final, conduzido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, começou em 25 de agosto.
Além da cassação do cargo, o Senado realizou votação sobre a perda dos direitos políticos da ex-presidente. A proposta obteve 42 votos favoráveis, 36 contrários e três abstenções. Como não atingiu o mínimo de 54 votos, Dilma manteve os direitos políticos.
A ex-presidente candidatou-se ao Senado por Minas Gerais em 2018, mas não foi eleita. Em março de 2023, foi eleita presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, o Banco dos Brics, após indicação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

