Um grupo de mais de 30 entidades do setor produtivo, liderado pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), enviou um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) nesta sexta-feira (28) alertando que a falta de dragagem no Rio Tapajós, no Pará, pode causar prejuízos de até R$ 850 milhões.
O documento classifica a medida como urgente devido à formação do El Niño, que deve reduzir as chuvas na região Norte e baixar o nível dos rios. As empresas projetam que a navegabilidade será prejudicada a partir de setembro, com risco de interrupção das atividades por até quatro meses e a perda de 5 milhões de toneladas no escoamento de grãos.
A paralisação impactaria entre 10 mil e 13 mil postos de trabalho. Segundo o ofício, a substituição do transporte hidroviário pelo rodoviário elevaria os custos logísticos entre R$ 150 e R$ 250 por tonelada, além de gerar a emissão adicional de 55 mil toneladas de carbono.
A dragagem, que consiste na retirada de sedimentos do leito do rio, está travada por um impasse. Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou o procedimento após pressão de lideranças indígenas do Baixo Tapajós, que exigem consulta prévia e alertam para riscos de contaminação por mercúrio.
O setor privado argumenta que a operação tem base na Lei 15.190 de 2025, que dispensa novo licenciamento para dragagens de manutenção. As empresas afirmam que o serviço seria feito sem custos ao poder público, via acordo entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (Abani).
O Ministério dos Portos e Aeroportos (Mpor) informou que a decisão de não realizar a dragagem considerou aspectos logísticos, ambientais e sociais. O órgão declarou que a navegação de embarcações de menor porte deve ser mantida para abastecer comunidades ribeirinhas e que o corredor rodoviário serve como alternativa para cargas de maior porte.

