Paula Zanchettin, assistente social no Centro de Referência da Mulher em Leme, São Paulo, utiliza sua vivência como vítima de violência doméstica para apoiar outras mulheres. Ela ajuda as vítimas a sair do ciclo de abuso, enfrentando medos e dificuldades de pedir ajuda.
A profissional, que sofreu violência sexual na juventude e agressões em relacionamentos posteriores, reconhece sentimentos como vergonha e insegurança nas mulheres que procuram o serviço. Para ela, acompanhar essas histórias é uma forma de ressignificar sua trajetória pessoal.
Zanchettin relatou que o relacionamento abusivo provocou depressão e sofrimento emocional. Em um episódio, o companheiro apontou uma arma para sua cabeça e proferiu ameaças. Ela conseguiu pedir socorro ao pai, mas o ciclo recomeçou após ele prometer mudar.
A assistente social afirma que a violência psicológica é a mais prejudicial, pois é silenciosa e não deixa marcas visíveis. Em outro momento, ela foi espancada a ponto de desmaiar, e só denunciou após notar os hematomas no espelho no dia seguinte.
A saída do relacionamento exigiu que ela abrisse mão da estabilidade financeira. Apesar do recomeço difícil, ela se tornou um exemplo de luta pela autonomia das mulheres na região.


