A desvantagem tarifária dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos cresceu para 7,5 pontos percentuais. O cálculo, feito por economista da MB Associados, aponta que o Brasil ocupa a segunda posição no ranking de países com pior acesso ao mercado americano, atrás apenas da China.
As novas tarifas entraram em vigor no final do mês passado, impostas pelo presidente americano, Donald Trump. Elas são exclusivas para produtos brasileiros e se baseiam em investigações sobre práticas comerciais consideradas injustas. Além disso, foram aplicadas alíquotas entre 10% e 12,5% a diversos países devido a acusações de negligência em importações de bens feitos com trabalho forçado.
Antes dessas sobretaxas, a taxa efetiva média brasileira era de 10,3%, enquanto a dos concorrentes era de 9,5%. Após a mudança, a tarifa brasileira subiu para 16,6%, e a média efetiva dos outros países caiu para 9,1%. Segundo Sergio Vale, a tarifa exclusiva de 25% imposta ao Brasil representa um ônus que não ocorreu com a maioria dos outros países.
O governo Lula estima que 47,3% das exportações brasileiras são afetadas pelas tarifas recentes. Constanza Negri Biasutti, gerente de política comercial da CNI, afirmou que a situação é crítica e preocupa a indústria nacional. A tendência é que as tarifas mais altas reduzam a competitividade brasileira no mercado americano.
Vale calcula que a perda nas exportações aos EUA pode variar entre US$ 1,7 bilhão e US$ 3,6 bilhões no primeiro ano. Ele também aponta que a incerteza gerada pelo regime tarifário pode causar um efeito prolongado no comércio, pois o mercado perdido não retorna facilmente.


