A expectativa de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros reflete uma disputa que transcende o comércio internacional, envolvendo questões regulatórias e geopolíticas, afirmou Lígia Maura Costa, professora da FGV EAESP, nesta quarta-feira (15). O cenário pode elevar a carga tributária de certos produtos em até 37,5%.
Segundo a professora, além da tarifa de 25% em discussão pela investigação conduzida pelo USTR, alguns segmentos podem ser atingidos por uma cobrança adicional de 12,5% relacionada ao trabalho forçado. Isso eleva a carga para até 37,5% em casos específicos, gerando preocupação entre empresas exportadoras.
A investigação americana aborda temas diversos, como etanol, desmatamento ilegal, propriedade intelectual e corrupção, o que, na visão de Costa, demonstra que a discussão extrapola o âmbito comercial. Ela explicou que “Quando você coloca corrupção ao lado de etanol e de desmatamento, percebe que não se trata apenas de um instrumento de política comercial. Há objetivos de política geral e, principalmente, de geopolítica”.
A especialista recomendou que o Brasil mantenha as negociações para entender os interesses do governo norte-americano. Ela observou que produtos estratégicos, como parte do agro e carne bovina, devem permanecer como exceções, mas o restante tende a sofrer com as medidas. O foco dos EUA no Brasil, segundo ela, é explicado por fatores geopolíticos, dada a relevância regional do país.


