As taxas do Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sexta-feira (28) majoritariamente em alta, impulsionadas por um discurso rigoroso de Kevin Warsh, dirigente do Federal Reserve. O movimento ocorreu apesar da divulgação de dados do Caged que mostraram a criação de menos vagas formais no Brasil do que o previsto por economistas.
No final da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 registrou 13,805%, alta de 4 pontos-base. Na ponta longa da curva, o vencimento para janeiro de 2035 fechou em 14,61%, com elevação de 13 pontos-base. A Selic está atualmente em 14%.
O cenário foi influenciado pela estreia de Warsh em Jackson Hole, onde afirmou que o Fed terá trabalho a fazer caso os membros não estejam confiantes de que a inflação subjacente dos Estados Unidos retorne à meta de 2%. Segundo o dirigente, a convergência da inflação deve ocorrer de forma clara e com velocidade suficiente.
A reação imediata foi a disparada dos rendimentos dos Treasuries de curto prazo. A Ferramenta CME FedWatch indicou que a probabilidade de alta de 25 pontos-base dos juros nos EUA em setembro subiu para 57,5%, contra 35,7% antes do discurso. O Treasury de dois anos subiu 12 pontos-base, para 4,354%, e o de dez anos subiu 6 pontos-base, atingindo 4,728%.
No Brasil, a pressão externa foi parcialmente contrabalanceada por dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O levantamento, vazado ao mercado antes do horário oficial, apontou a criação de 58.568 vagas formais em julho, número inferior aos 112 mil projetados.
A frustração nos dados do mercado de trabalho formal reforçou a percepção de que o Banco Central poderá promover novos cortes da Selic no curto prazo. Isso fez com que as taxas de DIs com prazos mais curtos perdessem força durante a tarde, embora os títulos de longo prazo tenham mantido a tendência de alta acompanhando os ativos americanos.

