As taxas dos títulos do Tesouro Direto apresentaram movimentos divergentes na terça-feira, 18 de agosto. Enquanto prefixados de médio e longo prazo subiram, os títulos IPCA+ caíram, influenciados pela liquidação em mercados globais e por ajustes em fundos de renda fixa.
O Tesouro Prefixado 2032 registrou alta, passando de 14,73% na segunda-feira para 14,76% nesta manhã. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 avançou ainda mais, de 14,78% para 14,82%. Em contrapartida, o IPCA+ 2050 caiu de 7,35% para 7,31%, e o IPCA+ 2040 recuou de 7,63% para 7,59%, com queda de quatro pontos-base em ambos.
Essa variação ocorreu após fundos de renda fixa que replicam os índices IMA-B realizarem recalibragem de carteiras. O gatilho foi o vencimento de R$ 257 bilhões em NTN-B na segunda-feira. Cerca de R$ 12,88 bilhões desse volume estavam com pessoas físicas via Tesouro Direto até junho.
A recomposição de carteiras liberou espaço para vencimentos remanescentes, como as NTN-B de 2028 e 2030. Cálculos da consultoria Eytse Estratégia estimam que essa recomposição gere demanda líquida agregada de R$ 35,3 bilhões, concentrada nos vencimentos de 2028 e 2030.
Analista de inteligência de mercados da StoneX, Leonel Oliveira Mattos, disse que o movimento de alta nos juros longos tem caráter global, afetando também os Estados Unidos, onde os Treasuries de 30 anos atingiram a maior taxa desde dois mil e sete. Mattos também apontou a pressão do petróleo, devido às tensões entre Estados Unidos e Irã.


