As taxas do Tesouro Direto voltaram a subir nesta quinta-feira, 20 de agosto, devolvendo parte do alívio registrado na véspera. O movimento ocorre após o mercado global reagir ao anúncio do Tesouro dos Estados Unidos sobre o aumento das operações de recompra de títulos.
Os prefixados lideraram a alta. O Tesouro Prefixado 2032 subiu de 14,68% na quarta-feira para 14,73% nesta manhã, um aumento de cinco pontos-base. O Prefixado 2029 avançou de 14,25% para 14,29%, enquanto o Prefixado com Juros Semestrais 2037 subiu de 14,72% para 14,76%, totalizando quatro pontos-base de alta em ambos.
O pano de fundo é a reação ao comunicado feito na quarta-feira pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, comandado por Scott Bessent. O órgão informou que irá dobrar o tamanho de suas operações de recompra, elevando o limite máximo por operação de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões nos trechos de 10 a 20 anos e de 20 a 30 anos da curva.
Apesar da intervenção, analistas apontam dificuldades estruturais. Andrew Canobi, diretor de renda fixa da Franklin Templeton, declarou que há uma “sincronia de forças que apontam para juros mais altos e curvas mais inclinadas”. Ele citou pressões fiscais e inflação persistente nas maiores economias desenvolvidas.
O quadro fiscal americano reforça a resistência do mercado. O déficit dos Estados Unidos atingiu US$ 432,3 bilhões em julho, valor mensal maior desde março de 2021, e o acumulado do ano se aproxima de US$ 1,8 trilhão. Os juros pagos para financiar a dívida nacional, que ronda US$ 40 trilhões, custaram cerca de US$ 1,2 trilhão ao governo americano neste ano.


