O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, determinou nesta quarta-feira (26) a abertura de um procedimento para acompanhar a situação e produzir informações sobre o futuro da usina nuclear de Angra 3. Localizada em Angra dos Reis (RJ), a obra está paralisada desde 2015.
A decisão ocorreu após o julgamento de uma auditoria sobre contratos de extensão da vida útil de Angra 1. Durante a sessão, ministros da Corte questionaram a demora do governo federal em definir se o projeto será concluído ou abandonado. A palavra final sobre a continuidade da usina cabe ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
O ministro Benjamin Zymler afirmou que a falta de definição aumenta as dívidas e o custo da energia necessária para viabilizar o projeto. Segundo Zymler, a estimativa do custo passou de R$ 600 para R$ 800 por MWh em dois anos, podendo chegar a R$ 1.000 por MWh caso a decisão leve mais dois anos para ser tomada.
A Eletronuclear, estatal responsável pelo projeto, gasta cerca de R$ 1 bilhão por ano para manter a obra parada. Desse montante, R$ 800 milhões são destinados ao pagamento de dívidas com a Caixa Econômica Federal e o BNDES, enquanto R$ 200 milhões são usados na conservação de equipamentos e estruturas.
Um estudo atualizado do BNDES estima em R$ 23,9 bilhões o custo para finalizar a usina, que teria capacidade de 1.405 MW. Por outro lado, o cancelamento do empreendimento custaria entre R$ 22 bilhões e R$ 25,97 bilhões, valor que inclui rescisões contratuais, desmobilização e a perda dos recursos já aplicados.
Dados do governo indicam que 66% do projeto está concluído, com investimentos acumulados de aproximadamente R$ 12 bilhões. O ministro Jorge Oliveira argumentou que a indefinição impõe gastos contínuos à estatal e defendeu a expansão da geração nuclear na matriz brasileira.
Os ministros também mencionaram a entrada da Âmbar Energia, do grupo J&F, que assinou contrato para comprar a participação da Axia na companhia por R$ 535 milhões. Para o ministro Antonio Anastasia, a chegada de capital privado deve aumentar a pressão por uma definição sobre a usina, embora a União mantenha o controle da estatal.

