Especialistas afirmam que o diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) não impede a aprovação em vestibulares. Com tratamento adequado e métodos de estudo compatíveis com o funcionamento cerebral, estudantes com o transtorno podem alcançar bom desempenho, segundo análises científicas.
O transtorno, que afeta cerca de 5% a 10% da população, apresenta desafios comuns aos vestibulandos, como manter a concentração e controlar a ansiedade. Pesquisas indicam que o TDAH interfere nas funções executivas, responsáveis pelo planejamento e organização, o que dificulta a demonstração do conhecimento em provas, mesmo que o conteúdo seja dominado.
A psiquiatra Jessica Martani explica que o histórico de dificuldades escolares pode gerar ansiedade e afetar a autoestima em momentos decisivos. Ela comenta que o acompanhamento psiquiátrico, associado à psicoterapia e rotina estruturada, favorece o desempenho, pois o controle da ansiedade é fundamental para manter o foco.
O professor Júlio Amorim, que possui diagnóstico de TDAH, orienta que a produtividade não se mede pela carga horária. Ele afirma que estudar em blocos menores, com pausas planejadas, é mais eficaz. Ele relata que alunos com TDAH conquistam vagas em cursos concorridos ao adotar métodos que funcionam para sua realidade.
Estudantes relatam que a aceitação do diagnóstico e a adoção de estratégias adaptativas foram determinantes. Uma aluna aprovada em Medicina, por exemplo, disse que sua virada de chave veio ao entender que funcionava de forma diferente, mas era capaz, e passou a usar pausas estratégicas durante as provas.


