O máximo representante da ONU em Cuba alertou que o receio de sanções dos Estados Unidos impede o envio de ajuda humanitária essencial para a ilha. Francisco Pichón, coordenador residente da ONU em Cuba, declarou que o temor das companhias de navegação, seguradoras e bancos provoca um cumprimento excessivo das normas, atrasando entregas a hospitais e escolas.
Desde janeiro, os Estados Unidos aplicam um bloqueio ao fornecimento de combustível à ilha, o que intensificou a crise energética e gerou apagões prolongados para os 9,4 milhões de habitantes. Washington também ameaçou aplicar sanções a empresas que comercializam com o governo cubano, agravando a escassez de itens básicos.
Pichón explicou que o risco de ser sancionado faz com que empresas retirem temporariamente serviços de fornecimento. Um exemplo citado foi um medicamento para câncer infantil que não chegou ao destino por falta de transporte refrigerado. O mesmo ocorreu com kits de saúde reprodutiva e material escolar.
Dados do governo cubano mostram que a crise se agrava: a mortalidade infantil mais que dobrou e o índice de sobrevivência de crianças com câncer caiu de 85% para 65%. A ONU informa que cerca de 3,5 milhões de pessoas enfrentam interrupções no fornecimento de água potável.


