Cerca de 45 milhões de usuários de internet com 16 anos ou mais no Brasil, o equivalente a 32% do total, sofreram tentativas de golpe com o uso de dados pessoais. O dado consta na terceira edição da pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais, apresentada nesta segunda-feira (31), em São Paulo.
O levantamento, realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), indica que 20% dos entrevistados foram vítimas efetivas de crimes digitais. Os golpes chegaram prioritariamente por aplicativos de mensagem, citados em 84% dos casos, seguidos por ligações telefônicas (79%) e sites ou aplicativos falsos (71%).
Winston Oyadomari, um dos coordenadores da pesquisa, afirmou que as tentativas causam estresse e podem levar à perda de acesso a contas e serviços públicos. Segundo Oyadomari, o controle de e-mails em plataformas como o Gov.br pode prejudicar o acesso a políticas públicas essenciais. O estudo aponta que pessoas com menor escolaridade relataram as situações com mais frequência e sofreram maior impacto.
Sobre inteligência artificial generativa, 66% dos usuários declararam estar preocupados com o uso de seus dados por empresas. O índice chega a 72% entre pessoas com maior escolaridade. O uso profissional ou acadêmico é o mais comum, aparecendo em 73% das respostas, enquanto 37% fornecem dados pessoais como CPF e endereço para as ferramentas.
Entre as empresas ouvidas, 69% armazenam dados de clientes, sendo a biometria o item mais guardado (31%). A pesquisa registrou estabilidade na adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) no setor privado: 40% das companhias realizam reuniões sobre o tema e 16% nomearam formalmente um encarregado de proteção de dados (DPO).
No setor público, houve avanço na criação de áreas de privacidade, especialmente em prefeituras de até 10 mil habitantes. A estrutura dedicada ao tema subiu de 36% em 2023 para 42% em 2025. A presença desses órgãos é total no Ministério Público (100%) e chega a 94% no Judiciário.
Renata Mielli, coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), afirmou que a proteção de dados não pode ser responsabilidade apenas dos usuários. Mielli defendeu que empresas e organizações públicas adotem práticas de governança e transparência para garantir a segurança das informações.


