O tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz atingiu o menor nível desde o acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, firmado em 17 de junho. A queda ocorre enquanto o governo iraniano ironiza a proposta do presidente Donald Trump de impor uma taxa de 20% sobre as cargas que transitam pela rota.
O cessar-fogo temporário, estabelecido em junho, mostra sinais de fragilidade após a troca de hostilidades entre os dois países por um terceiro dia consecutivo nesta terça-feira (14). O acordo original proibia explicitamente Teerã de cobrar qualquer tarifa de navios comerciais em trânsito pelo estreito.
A proposta de Trump, divulgada em rede social, estabelece que os Estados Unidos seriam o “guardião do Estreito de Ormuz” e que o país deveria ser reembolsado com 20% do valor das cargas transportadas, como compensação pelos custos de segurança. Setores do transporte naval alertam para o desincentivo. A gigante Hapag-Lloyd classificou a cobrança de pedágio em águas internacionais como equivocada.
O Conselho Marítimo Internacional e Báltico avaliou que a medida pode reduzir ainda mais o tráfego, estimando que o custo do pedágio para um navio petroleiro de grande porte giraria em torno de 27 milhões de dólares por viagem. Dados da plataforma Kpler indicaram apenas 14 navios cruzando o estreito no domingo (12), contra 37 embarcações na semana anterior.
Em resposta, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que, embora reconheça a necessidade de compensação para quem garante a passagem, o Irã sempre foi e continuará sendo o guardião do Ormuz, classificando os 20% propostos por Trump como um valor exagerado.

