Um novo estudo publicado na revista Nature Human Behavior indica que a prática de médicos tranquilizar pacientes, afirmando que certos sintomas são ‘normais’, pode levar à menor adesão ao tratamento. A pesquisa, que envolveu mais de nove mil pessoas, analisou como a comunicação médica afeta as escolhas de saúde.
Os pesquisadores observaram que, quando um médico normaliza sintomas — como fogachos na menopausa ou dores musculoesqueléticas em idosos —, o paciente pode interpretar que o tratamento não é necessário. Segundo On Amir, professor de marketing da University of California, San Diego’s Rady School of Management, essa comunicação pode levar o paciente a entender o que não deve fazer, o que não é a intenção do profissional.
Seyi Lawal, estudante de pós-graduação envolvido no estudo, explicou que a intenção dos profissionais geralmente é melhorar o estado mental do paciente. Contudo, há um risco de que essa normalização seja interpretada como uma sugestão de não agir. Em um dos experimentos, 400 pessoas previram que pacientes sem essa tranquilização seriam mais propensos a tomar medicamentos prescritos.
A maioria dos doiscentos médicos entrevistados afirmou usar tais frases em sua prática, e 84% acreditavam que a tranquilização incentiva o retorno do paciente ao acompanhamento. No entanto, os autores descobriram uma forma eficaz de equilibrar os dois aspectos: quando o médico recomenda o tratamento e, ao mesmo tempo, diz que o sintoma é comum à condição, a adesão ao tratamento aumenta.


