Casos de transtornos alimentares em crianças e adolescentes aumentam no estado de São Paulo. De dois mil vinte e três a dois mil vinte e cinco, os atendimentos por saúde mental no SUS para essa faixa etária cresceram cerca de cinquenta por cento.
A especialista Rogéria Taragano, supervisora do Ambulatório de Anorexia Nervosa do Programa de Transtornos Alimentares (Ambulim) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP), apontou o crescimento. Segundo ela, o aumento ocorre após a pandemia e envolve transtornos de humor e alimentares, além de transtornos do desenvolvimento.
Taragano avalia que o acesso precoce de crianças a celulares as expõe a estímulos sociais sem preparo neurológico. O problema não se restringe às redes sociais, pois distúrbios alimentares dependem de fatores biológicos, sociais, familiares e psicológicos.
A valorização da magreza extrema ganha espaço digital, afetando mais meninas e mulheres, mas também meninos em busca de corpos musculosos. Márcia Kalvon, diretora executiva do Infinis, defende que o desenvolvimento infantil é responsabilidade compartilhada entre a família e a sociedade.
O tratamento exige equipe multidisciplinar, incluindo psicólogo, psiquiatra e nutricionista. A especialista enfatiza que o foco no caso infantil deve ser o contexto familiar, alertando contra críticas ao corpo na presença de filhos.

