Um tribunal russo condenou um político de oposição por se manifestar contra a guerra na Ucrânia e impôs a pena de onze anos e um mês de prisão. A decisão ocorreu em Pskov, na Rússia, pouco antes das eleições parlamentares de setembro.
A condenação atingiu um vice-presidente do partido Yabloko, que é o único grupo político registrado na Rússia a se opor abertamente ao conflito desde fevereiro de dois mil e vinte e dois. O acusado foi julgado sob acusações de difamar e espalhar informações falsas sobre as Forças Armadas russas.
As alegações surgiram de um debate no qual o político defendeu o fim da guerra e publicou uma imagem em seu canal no Telegram, com a manchete: “O sangue dela… as mãos dele”. Ele rejeitou as acusações como infundadas. O político, de sessenta e três anos, já havia sido classificado como “agente estrangeiro” em um processo anterior.
Em outra medida, a Suprema Corte da Rússia manteve a decisão de impedir a participação do Yabloko na eleição para a Duma. A Comissão Eleitoral Central havia permitido a participação do partido em julho, mas a Suprema Corte negou o recurso apresentado pela sigla.
O Yabloko classificou a sentença como “bárbara”, alegando que ela foi imposta por apelos por um cessar-fogo. O partido afirmou que o acusado recorrerá da condenação. A diretora da ONG Anistia Internacional para a Europa Oriental e Ásia Central declarou que o processo constitui uma repressão à liberdade de expressão.


