O presidente Donald Trump assinou, na quarta-feira (26), uma proclamação que amplia temporariamente a importação de cortes magros de carne bovina para os Estados Unidos. A medida visa aumentar a oferta de matéria-prima para a produção de carne moída e aliviar os custos para o consumidor final.
A autorização acrescenta 300 mil toneladas métricas à cota tarifária reduzida, com vigência de 90 dias a partir de 1º de setembro. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas, distribuídas entre setembro, outubro e novembro. O governo estabeleceu que as importações sejam monitoradas e comercializadas a um preço 25% inferior ao valor de mercado, sob risco de interrupção da medida.
A decisão ocorre enquanto o rebanho bovino dos Estados Unidos atinge o menor nível em 75 anos. Segundo a Casa Branca, o Departamento de Agricultura dos EUA prevê que a produção de carne bovina caia aproximadamente 4% em 2026 em relação ao ano anterior, reflexo de secas, incêndios e custos elevados.
Quatro organizações do setor, incluindo a American Farm Bureau Federation, a Livestock Marketing Association, a National Cattlemen’s Beef Association e a United States Cattlemen’ Association, pediram a reversão da medida em carta enviada nesta quinta-feira (27). Zippy Duvall, presidente da Farm Bureau Federation, afirmou que a iniciativa ameaça a recuperação do setor pecuário.
As entidades argumentam que a entrada de carne estrangeira no mercado pode desestimular a ampliação da criação e prejudicar a recomposição dos rebanhos. A Farm Bureau Federation informou que cerca de 70% dos bezerros nascidos na primavera são vendidos entre setembro e novembro, período que coincide com a nova cota.
O governo também iniciou a reabertura gradual de pontos de entrada para gado mexicano, que haviam sido restringidos por risco sanitário da mosca-do-berne do Novo Mundo. Em fevereiro, a cota de importação de cortes magros da Argentina já havia sido aumentada em 80 mil toneladas.

