O presidente Donald Trump anunciou, nesta sexta-feira (29), um acordo com a Venezuela que concede aos Estados Unidos o controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris de reservas de petróleo. Trump afirmou que o pacto, descrito como o maior negócio petrolífero da história, reduzirá substancialmente os preços da gasolina para os americanos.
O acordo prevê o desenvolvimento de 17 campos estratégicos com investimentos superiores a US$ 100 bilhões e a geração de US$ 209 bilhões em receitas fiscais para o Estado venezuelano. Segundo a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, a iniciativa visa a modernização da indústria e o crescimento econômico do país. O Secretário de Estado, Marco Rubio, classificou a medida como uma vitória para a economia doméstica.
Uma empresa conjunta, formada pelo governo dos EUA e um operador privado, terá direitos de exploração por 100 anos. A nova entidade será a segunda maior detentora de reservas provadas do mundo, atrás apenas da Saudi Aramco. Os Estados Unidos deterão 55% da produção efetiva da companhia, que será utilizada para abastecer a reserva estratégica de petróleo e as necessidades militares do país.
Apesar do anúncio, analistas indicam que a queda nos preços nos postos não será imediata. A Venezuela produziu cerca de 1,1 milhão de barris por dia em julho, número reduzido por má gestão e falta de manutenção. O economista Claudio Galimberti, da Rystad Energy, explicou que a recuperação da infraestrutura obsoleta pode levar vários trimestres ou anos para impactar o mercado.
O cenário ocorre enquanto o preço médio do galão de gasolina nos EUA atingiu US$ 4,08 no sábado, contra US$ 3,20 no ano anterior. O custo é influenciado pela guerra com o Irã e o bloqueio ao Estreito de Ormuz. Patrick De Haan, da GasBuddy/PDI, afirmou que a extração do petróleo exigirá bilhões em investimentos e que a capacidade global de refino limitada impede mudanças rápidas nos preços.
A viabilidade do projeto foi questionada anteriormente por executivos do setor. Em janeiro, o CEO da ExxonMobil, Darren Woods, classificou o ambiente de negócios na Venezuela como inviável devido aos marcos legais e comerciais. Atualmente, não há detalhes sobre como o financiamento do projeto será viabilizado sem custos para o contribuinte americano.

