O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto em março para endurecer as regras do voto por correspondência, sob a alegação de evitar fraudes por pessoas sem cidadania americana. A medida ocorre enquanto o próprio republicano utilizou a modalidade nas eleições de 2020 e nas primárias da Flórida deste ano.
O decreto estabelece a criação de uma lista federal de cidadãos aptos a votar pelo correio, a ser elaborada pelo Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA e pela Administração da Seguridade Social. Pela nova norma, as cédulas só podem ser entregues a pessoas incluídas nesse cadastro. A Casa Branca, por meio da porta-voz Olivia Wales, afirmou que a Lei SAVE America prevê exceções para casos de doença, deficiência, serviço militar ou viagens.
No dia 24, a Suprema Corte permitiu que o governo avance na disputa para restringir o recurso, derrubando a decisão de um juiz federal que havia suspendido o decreto para as eleições de meio de mandato de novembro. Os ministros consideraram que era cedo demais para os estados questionarem a medida, embora a Corte não tenha declarado o decreto constitucional nem determinado sua aplicação imediata.
Governos estaduais processaram a União argumentando que a Constituição dos EUA atribui aos estados e ao Congresso, e não ao presidente, o poder de definir as regras eleitorais. O presidente intensificou ataques ao sistema após a derrota para Joe Biden em 2020, afirmando, sem apresentar provas, que houve fraude generalizada via voto postal.
As novas exigências incluem a adoção de um formato específico para os envelopes e a implementação de um sistema eletrônico de comunicação com o Serviço Postal. A falta de cumprimento dessas normas impediria o envio das cédulas.
Autoridades da Califórnia e de Nevada alertam que o prazo para as mudanças é insuficiente. Na Califórnia, os envelopes já foram impressos e o envio começa em poucos dias. Em Nevada, onde todos os eleitores registrados recebem a cédula por correio, o Serviço Postal já entregou dezenas de documentos. Dados indicam que eleitores democratas utilizam a modalidade com mais frequência que republicanos.


