O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressiona a Coreia do Sul em questões comerciais e de segurança ao retomar gestos públicos de aproximação com o líder norte-coreano Kim Jong-un. Trump ordenou a redução de exercícios militares anuais e criticou Seul por não apoiar suficientemente Washington na questão do Irã.
O republicano afirmou que Kim Jong-un respondeu positivamente à proposta de retomar conversas, classificando o avanço como “muito positivo”. Em resposta, o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, manifestou frustração com o impasse nas negociações sobre a aquisição de um submarino nuclear sul-coreano. Lee pediu que os esforços de negociação fossem acelerados, alegando que a força nacional aumenta o valor da aliança.
As tensões entre os aliados crescem devido a reclamações de Washington de que Seul avança lentamente no investimento de US$ 350 bilhões nos EUA. Há relatos de que Washington quer incluir grandes empresas sul-coreanas de semicondutores nesse pacote. A instalação de fábricas da SK Hynix ou da Samsung nos EUA poderia dificultar os planos de Lee de expandir polos tecnológicos na Coreia do Sul.
Analistas apontam que o governo sul-coreano precisa equilibrar interesses comerciais e a dependência do guarda-chuva nuclear americano contra o arsenal da Coreia do Norte. Mason Richey, professor da Universidade Hankuk de Estudos Estrangeiros, alertou que conversas entre Trump e Kim sem consulta prévia a Lee enfraqueceria a confiança dos sul-coreanos nos EUA.
A diplomacia sul-coreana também se movimentou, anunciando a visita do ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, a Seul esta semana. Trump deve visitar Shenzhen, na China, em novembro para um encontro de líderes que pode reabrir o diálogo com Pyongyang.

