O fundo imobiliário TRX Real Estate (TRXF11) desistiu da aquisição de um portfólio imobiliário da Cyrela avaliado em aproximadamente R$ 2,14 bilhões. O encerramento do memorando de entendimento (MOU) foi comunicado pela incorporadora em fato relevante nesta segunda-feira (31), após o fundo informar que não avançaria com a operação.
O acordo, anunciado em 5 de agosto, previa uma participação da Cyrela estimada entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,5 bilhão. Como o documento tinha caráter não vinculante, a interrupção das tratativas não gera custos ou penalidades para as partes. O TRXF11 detinha 105 dias de exclusividade para a negociação.
O portfólio inclui uma torre corporativa de 45 mil metros quadrados de área bruta locável (GLA) em São Paulo, com entrega prevista para o fim de 2026. Cerca de 75% do edifício já estão locados ao Nubank, enquanto os 25% restantes serão utilizados como nova sede da Cyrela.
A transação também envolvia quatro propriedades logísticas com 220 mil metros quadrados de GLA. Dois imóveis ficam próximos a São Paulo, um em Extrema (MG) e outro no Rio de Janeiro. Com o fim do MOU, a Cyrela deverá buscar alternativas para a venda desses ativos.
Analistas do Itaú BBA consideram o desfecho negativo por impedir a liberação de valor imediato para a companhia, embora apontem que a empresa ainda pode encontrar compradores. O Bradesco BB-BI avalia que o impacto é limitado e atribui a desistência às condições de financiamento do TRXF11, e não à qualidade dos imóveis.
O Goldman Sachs mantém a visão positiva sobre as ações da Cyrela, fundamentada na expectativa de crescimento de 27% no lucro líquido para 2027. Nesta segunda-feira (31), às 14h30, as ações da incorporadora subiam 4,6%, cotadas a R$ 24,07, enquanto as cotas do TRXF11 avançavam 1,93%, a R$ 79,82.


