A Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP) alertou, nesta semana, que tufões na China e o congestionamento em portos asiáticos pressionam o abastecimento de pneus no Brasil. O impacto é sentido nos embarques programados entre 1 e 7 de setembro, com alta expressiva nos custos de frete.
O valor do frete de um contêiner de 40 pés subiu de cerca de US$ 3 mil para faixas entre US$ 8 mil e US$ 9,5 mil. A variação depende do armador, da disponibilidade de espaço e das condições de negociação. Terminais estratégicos, como Xangai e Ningbo, suspenderam operações temporariamente por segurança.
Dados da ABIDIP indicam que mais de 800 navios aguardaram condições climáticas favoráveis fundeados. Cerca de 2,4 milhões de TEUs — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés — foram afetados, com o acúmulo de congestionamento nos terminais chineses próximo de 400 mil TEUs.
A situação causou atrasos nas escalas, omissões de portos e dificuldades para reposicionamento de navios e equipamentos. A previsão de novos tufões nas regiões de Shenzhen, Ningbo e Xangai mantém a incerteza sobre os cronogramas de embarque.
Ricardo Alípio, presidente da ABIDIP, afirmou que a preocupação agora vai além do preço e envolve a dificuldade de conseguir espaço e equipamento. Segundo Alípio, a soma de fretes próximos a US$ 10 mil e gargalos portuários gera um risco concreto para a regularidade do mercado brasileiro.
O problema afeta especialmente o segmento de reposição, que atende revendedores, frotistas, transportadoras e motoristas de aplicativo. A necessidade de antecipar pedidos e recompor estoques eleva a complexidade do planejamento logístico.
A ABIDIP projeta restrição de espaço nas rotas vindas da China em setembro. A normalização do abastecimento nas próximas semanas dependerá da evolução dos fretes e da capacidade dos armadores de retomar as escalas portuárias.


